Pavia, o "Centro do Mundo", é uma pequena povoação alentejana, do distrito de Évora. Tem a sorte de continuar ignorada pelos poderes públicos, que não a incomodam com investimentos, sempre dificeis de gerir.
É sede de Junta de Freguesia do Concelho de Mora, já tendo sido sede de concelho, desde data indeterminada e até 1838, ano em que surge uma carta de lei de 17 de Abril que, sem se saber porquê, transfere a sede do concelho para Mora. Já nestes tempos as coisas inexplicáveis aconteciam...
Pavia abrange uma área geográfica superior a 190 Km2 a mais de 12 Km de distância de qualquer outra povoação.
Lisboa situa-se a cerca de 150 Km de Pavia, onde se pode ir por diversas estradas que não incluem directamente a autoestrada para Espanha, como chegou a estar previsto. Julga-se que o desvio introduzido no projecto inicial se terá ficado a dever à conveniência de servir um maior número de votos eleitorais residentes em Évora e Montemor-o-Novo.
Destruídas que foram as infrastruturas ferroviárias anteriormente existentes, Pavia dispõe apenas de acessos rodoviários. As estradas que cruzam Pavia dirigem-se para Mora a norte, para Arraiolos e Évora a sul, para o Vimieiro e Estremoz a leste e para Avis a nordeste.
Para além do núcleo principal, inclui também um outro agregado populacional a uma distância média de 5 Km, constituído por um conjunto de montes dispersos: a Malarranha, muito procurada por forasteiros para a instalação do Monte Alentejano que está a fazer furor entre as gentes da cidade. No seu conjunto a população residente ronda actualmente os 1600 habitantes. Depois da colonização dos montes espera-se que novo censo permita actualizar estes números.
De características tipicamente alentejanas é considerada
uma das vilas brancas menos atacada
pelo mau gosto das tintas berrantes, dos azulejos hidráulicos nas
paredes e dos alumínios. Pavia mantem ainda hoje o rosto do povoado
antiquíssimo que é, dominado pelas construções
de um só piso térreo, portais à escala humana e chaminés
ressaltadas com volumes típicos.
Falar
de Pavia em termos de urbanização é também
descrever uma harmoniosa disposição de ruas compridas, ora
ladeadas de grandes espaços abertos, ora de pequenas e estreitas
vielas transversais, que apesar das suas modestas proporções,
oferecem singular luminosidade.
A
vila oferece, assim, uma imagem real do passado e do presente, de uma terra
do Alto Alentejo, com um sistema de economia rural, orientado para a exploração
do latifúndio, desde o tempo dos Romanos.
As suas gentes, cada vez em menor número, constituem o seu mais valioso património e têm sabido preservar, ao longo dos tempos, um outro património construído de inegável valor histórico, arquitectónico e artístico.
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