
Notável
é a IGREJA MATRIZ dedicada ao APÓSTOLO S. PAULO, que se situa
no ponto mais elevado do extremo setentrional da vila, e que esteve encerrada
desde fins do séc. XV ao período seiscentesco, por amuramento
de taipa e cortina de ameias, ordenado pelos donatários, com quatro
portas góticas, desaparecidas e dominado, ao ocidente, pelo paço
velho dos condes de Borba, que era obra de arquitectura palaciana da tipologia
manuelina alentejana do género fortificado.
Vítima de grande incêndio nos começos desta centúria,
a antiga casa forte, então já muito arruinada, sofreu total
remodelação que lhe imprimiu a silhueta actual, obra determinada
pelo lavrador Joaquim Rebelo Arnault.
Templo-fortaleza de arquitectura híbrida sacro-profana dominante
na região a partir do reinado de D.João II e atingindo especial
originalidade em tempos de D. Manuel I, oferece particular interesse geral
e é protegido, nos prospectos laterais, por sete torrelas cilíndricas
sobrepujadas de cones estilizados: coroa de merlões do tipo muçulmano.
O monumento deveu-se, em fundação, ao Iº conde D. Vasco
Coutinho, célebre nas campanhas marroquinas e os acabamentos a seu
filho D. João Coutinho, casado com D. Isabel Henriques, filha do
capitão de ginetes da casa real Fernão Martins Mascarenhas.
O terramoto de Novembro de 1755, destruiu-lhe o primitivo alpendre e a
frontaria, que se reergueu a expensas do arcebispo de Évora D. Fr.
Miguel de Távora, dentro do estilo barroco, lamentável e
gritante concepção que destroi a severa mas digna pureza
dos alçados gótico-manuelinos.
O interior, lançado em porporções magestosas, preanunciando,
em exteriorização arcaica o sistema adoptado por D. João
III e D. Sebastião nas igrejas-salões de três naves
à mesma altura, distribui-se em sete tramos bem iluminados e divididos
por pilares octogonais, de granito e capitelação fito-antropomórfica,
que suporta abóbodas de nervuras acaireladas, presas por chaves
circulares, naturalistas e armorejadas.
O presbitério, de atarracado arco-mestre, que descansa em pilares
chanfrados, é de forma quadrangular e cobertura nervurada, com aranhiço
guarnecido de bocetes redondos, igualmente compostos por cruzes da ordem
de Cristo e folhagem exótica do estilo manuelino.
O retábulo, concebido dentro da tradição clássica,
de madeira engessada e da ordem jónica, com equilibrado frontão
triangular de reticulados imitando mosaicos renascentistas e ladeado por
duas colunas caneladas, concentra curioso painel votivo, da tábua
e pintura a óleo do ciclo maneirista italianizante, representando
a CONVERSÃO DE S. PAULO NO CAMINHO DE DAMASCO (último quartel
do Séc. XVI).
Nitidamente escolares portugueses são os painelinhos do friso da
banqueta, dispostos como predelas horizontais e figurados por santos do
agiológico lusitano: S. PEDRO, SANTIAGO COMBATENDO OS MOIROS, SANTO
ANTÓNIO e SANTO BISPO.
A mesa do altar, no eixo da capela-mor, respeitando a disposição
alterada pelo Concílio de Trento, está decorada por silhar
de azulejos relevados, de padronagem trianeira de Sevilha, do tipo de corda-seca
e de alvores quinhentistas.
Notável é o tabernáculo, obra de talha do estilo barroco
com colunelos salomónicos, dourados (Época de D. Pedro II
- D. João V).
A MISERICÓRDIA
DE PAVIA, fundação visinha do ano 1560 e do padroado do fidalgo-lavrador
Álvaro Arnauld de Sottomaior, sofreu obras estruturais (senão
as primeiras definitivas), no começo do Séc. XVII, dentro
do espírito da arte barroca provincial, representadas pelo singelo
templo de alvenaria decorado pelo escudo das armas reais portuguesas.
Dispõe-se, interiormente, em corpo de nave com tecto de volta inteira
aberto por caixotões geométricos, perolados, de curioso efeito
ornamental, santuário de cúpula elipsóide assente
em trompas lisas, e retábulo de colunata coríntia, de estuques
imitando mármores embrenhados, modernos.
Outras fundações religiosas subsistem na vila e seu termo
regional, particularizando-se a ermida de S. SEBASTIÃO, actualmente
dedicada a S. FRANCISCO, por nela se ter instalado, no Séc. XVIII,
a confraria dos veneráveis irmãos terceiros.
Fundada, presumivelmente nos derradeiros anos da centúria de quinhentos,
sob padroado do vice-rei da Índia D. João Coutinho, titular
da vila, que perdeu seu pai o 4º conde de Redondo na terrível
batalha de Alcácer Quibir e onde ele próprio ficou prisioneiro
dos mouros, pertence a período arquitectónico de transição
clássico-barroca, com fachada reforçada por botaréus
rematados de esferas.
O corpo interior, discreto, tem abóboda de volta redonda dividida
por arcos torais de aresta viva e capela-mor cupular, elipsoide, assente
em pendentes envieirados e artesões fechados pelo brasão
primitivo das 5 estrelas dos Coutinhos.
Menor
interesse artístico oferece a ermida de SANTO ANTÓNIO, situada
no extremo ocidental da povoação, que instituida em época
indeterminada do Séc. XVII chegou ao nosso tempo muito adulterada
e com o retábulo perdido por repintura infeliz de 1932, que é
constituído por políptico de oito tabuinhas da VIDA E MILAGRES
DO SANTO TAUMATURGO PORTUGUÊS.
As capelinhas de S. MIGUEL e S. GENS, ficam no aro rústico, aquela, em ruínas, na margem direita do Freixo e esta, hoje consagrada à MADRE DE DEUS, na herdade da Tramagueira, com silhueta muito pitoresca e já existente no ocaso do reinado de D. Afonso VI.
Medieval é, certamente, a ponte da Ribeira de Tera, que se rasga
em garganta roqueira e melancólica da estrada para Avis, robustecida
de arcos irregulares, reforçados, a montante, por gigantescos esporões
truncados, graníticos e siglados.
A estrutura e aspecto actual da ponte foram recentemente alterados para alargamento do tabuleiro de circulação rodoviária, mantendo-se, como usualmente, o mau estado da estrada que se dirige a Avis.

Outros elementos sobre Pavia:

Visitas a esta página desde Outubro de 1996:
Última actualizaão: 06/98

| ||
| Webmaster |
|